Being da Costa Aguiar Sant'Anna
Em agosto, meu primo decidiu se casar. Casamentos não são acontecimentos muito comuns na minha família, pelo menos não nos últimos anos. Talvez nos próximos...
Como um bom membro da família, ele arranjou um casamento não muito convencional.
Quero dizer, não muito convencional para os padrões do mundo como um todo, mas na verdade bastante compreensível para a minha família de maneira geral.
Pra começar, foi ontem. Não porque durante a semana só os ricos podem comparecer, como dizem por aí, mas porque 10 de dezembro foi o casamento dos meus avós. É uma forma de pedir a bênção, digamos assim. Ou de desejar que eles também cheguem aos 60 anos juntos, como aconteceu com meus avós.
Não foi numa igreja, num salão de festas ou num buffet.
Foi na casa da minha avó. Dupla bênção.
O noivo se arrumou no andar de cima, e a noiva se preparou na sala de visitas, no andar de baixo.
As pessoas não acostumadas iam entrando e explorando aquela casa grande, toda antigona, com os móveis encostados e as cadeiras espalhadas para dar espaço aos convidados. Para que isso fosse possível, a cachorra e a gata foram passar a noited em um hotelzinho. A tenda foi montada no terraço, onde a juíza de paz ia fazer o casamento propriamente dito. Meu tio chegou do Rio em cima da hora e assistiu ao casamento da janela, antes de conseguir se aprontar. E o pai do noivo servia cervejas logo que os convidados iam chegando, pra aplacar o calor.
O noivo, chef, preparou o cardápio e algumas das iguarias - vegetarianas e maravilhosas. Ou seja, trabalhou o dia todo. A certa altura da festa, pegou uma bandeja e assumiu também o papel de garçom. A noiva também não fez cerimônia e ajudou a distribuir os quitutes pelas mesas, das salas e da varanda.
De um certo ponto de vista, foi uma grande confusão.
Mas no fim das contas, foi um dos casamentos mais divertidos que eu já fui em toda a vida. Sem sombra de dúvida. O tipo de festa que eu só vejo acontecer com tal naturalidade na minha família...
postado por: Mari 3:41 PM